HOMENAGEM A MARCELO LACOMBE
Por Diogo Valença
Gostaria de dizer breves palavras em homenagem ao nosso amigo, o Prof. Marcelo Lacombe. Coube-me a triste tarefa de representar o Centro de Artes, Humanidades e Letras da UFRB e o colegiado de Ciências Sociais nesse momento tão difícil para os colegas, os amigos e a família do Prof. Marcelo, ou Lacombe, como simplesmente o chamávamos. Não posso falar dele apenas como profissional, um intelectual brilhante, de grande capacidade teórica e analítica, possuidor de uma vasta cultura e um pesquisador devotado. Ele era nosso amigo, uma pessoa de profunda humanidade, honesto nas suas palavras, firme nas suas posições, mas sempre gentil no trato com os colegas e pronto a escutar. Sei que todos os colegas, sem exceção, o respeitavam e depositavam nele total confiança. Ele deixou marcas e boas lembranças em todos nós. A participação de Lacombe sempre será lembrada na UFRB, no nosso centro e, com carinho especial, no Centro de Artes, Humanidades e Letras e no nosso Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais. Queria lembrar aqui que a contribuição de Lacombe foi fundamental nos nossos debates sobre o projeto pedagógico do curso de ciências sociais e, nos últimos meses, pude testemunhar o seu empenho em consolidar, com o rigor acadêmico que lhe era característico, o nosso Programa de Pós-Graduação, que ele abraçou como a um filho. Ele fará muita falta como intelectual na construção da nossa Universidade e, sobretudo, como colega, companheiro de jornada e, simplesmente, nosso amigo. Não tenho condições de avaliar sua produção acadêmica, mas acho que ela deve ser cuidadosamente divulgada, conhecida e respeitosamente estudada, porque essa é a homenagem que ele merece e que ele gostaria que lhe fosse feita. Foi uma produção prematuramente interrompida e, nas conversas que tínhamos, sei que havia muita substância intelectual e conhecimento profundo da sociologia, da antropologia e da ciência política. Posso dizer que ele foi um cientista social completo. Ele era imbatível nos argumentos e suas idéias me pareciam sempre um batalhão aguerrido. Sei que minhas palavras não diminuem qualquer dor da família e dos amigos, mas quero terminar essa breve homenagem com dois versos de um poeta russo, porque sei que Lacombe amava o idioma russo e era um profundo conhecedor da história da Revolução Russa. Em seu computador, ele costumava carregar canções revolucionárias. Essas são as palavras e, em nome de todos os meus colegas, digo adeus a meu amigo: Que chama do espírito se apagou,/Que coração deixou de bater! (Nekrássov).
VOLUME 1, NÚMERO 1, JANEIRO DE 2012
ISSN: 22381082
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